Um símbolo esquecido: Alex Kidd

Alex-Kidd-Logo Alex-Kidd

Aproveitando a comemoração do primeiro aniversário aqui do cantinho, venho dar-vos a conhecer uma personagem que me marcou back in the day e que é responsável pelo nome aqui do estaminé.


Uma vez…
Em finais da década de 80 começava a desenhar-se a Guerra de consolas protagonizada pela toda poderosa Nintendo que dominava o mundo inteiro e mais alguma coisa, no que diz respeito a consolas e jogos de vídeo, e a tímida SEGA que impulsionada pelo sucesso nos salões de jogos, vinha dando os primeiros passos dentro das nossas casas.
A Nintendo tinha nas suas fileiras um certo canalizador que se tornou rápidamente a mascote e imagem de marca da empresa, sendo responsável por acabar com a crise do mercado de videojogos, bem como encher os bolsos ao patrão graças aos milhões de cartuchos vendidos. O que a SEGA tinha para combater isto? Pouco!
A consola que na altura rivalizava com a NES era a Master System mas o catálogo de jogos disponíveis na altura para esta plataforma não era muito apelativo para o público. As vendas também não ajudavam: tímidas no Japão, fracas nos Estados Unidos, apenas na Europa e América do Sul a coisa ia correndo menos mal.  Apesar da Mega Drive já estar na calha, a SEGA precisava rapidamente de um jogo-todo-poderoso capaz de ofuscar o seu concorrente, bem como capaz de proporcionar uma mascote e imagem para a companhia.

Esta “fava” acabou por calhar a Ossale Kohta, pseudónimo de Kotaro Hayashida, que já tinha sido responsável pelo design de outros títulos como Pitfall II, Transbot, Pit Pot e mais tarde viria a desenvolver todo o cenário dos títulos da franquia Phantasy Star.

Kotaro Hayashida, “Pai” do Alex Kidd

Mas se Kotaro foi o “Pai” do universo do Alex Kidd, coube a Rieko Kodama a aventura de o trazer ao mundo. Rieko participou no design de títulos como o Spellcaster (Master System), Altered Beast (Mega Drive), Sonic (Mega Drive), Skies of Arcadia (Dreamcast) mas a verdadeira masterpiece  foi ter criado o personagem, Alex Kidd!

Rieko Kodama

Estava lançado a estes o desafio: Criar um Super Mario KILLER! Tarefa bastante inglória mas….


A ascensão
Assim nasce, em 1986 no japão, o Alex Kidd. O salvador é-nos apresentado sobre a forma de um pequeno rapaz, do planeta Aries,  com orelhas maiores que o normal, assim como as mãos também elas fora de série. Veste um fato vermelho (de paraquedista?) parecido com o do Bruce Lee e, para um rapaz de supostamente 14 anos que é orfão e vive sozinho num monte, é bastante dotado no que diz respeito a conduzir veículos e esmurrar o que lhe aparece pela frente.  Importa dizer que dar murros daquela forma não é para todos. É preciso dominar muito bem a técnica Shellcore que permite que com a força da mente seja possível alterar o tamanho e força das mãos, para se dar uns valentes socos capazes até de partir pedra!
Outra habilidade bastante curiosa poderosa que ele tem é a de destruír bosses, que por definição são mais difíceis de ultrapassar que os comuns inimigos, apenas na base do jogo Janken-pon (pedra-papel-tesoura).

Páginas do manual com a história e os maus da fita

Páginas do manual com a história e os maus da fita

Apesar das semelhanças do personagem com o bigududo da Nintendo, surge assim, há quase três décadas atrás, nas prateleiras das lojas o título Alex Kidd in Miracle World. Gráficos simples mas bastante coloridos (tendo em conta a época de lançamento), um argumento consistente diferente de um “apenas salve a princesa”, mecânicas de jogo diferentes do habitual e uma das melhoes bandas sonoras na SMS (graças a Tokuhiko Uwabo). Todos queriam jogar in Miracle World. Poder conduzir motas, barcos, helicópteros, amealhar dinheiro e comprar powerups em lojas, procurar itens escondidos, acesso durante o jogo a um mapa de área, faziam de Miracle World um jogo diferente de todos os platformers até à data. É importante reter que toda esta inovação surge num jogo lançado em  1986, numa altura em que os títulos do género assentavam no protagonista a correr da esquerda para a direita, sem estes elementos RPG. Uma receita talhada para o sucesso! (Ou não…)

Ecrã inicial do Grande in Miracle World


O declínio

O Alex Kidd veio assim ocupar a posição de segunda mascote oficial da SEGA, tirando o lugar a Opa-Opa, uma nave/robô (com sentimentos) originária do jogo Fantasy Zone e mascote no anime/jogo Zillion.

Opa Opa

A popularidade deste heroi esteve em altas até ao fim da década de 80. Chegou até a ser oferecido junto com a nova versão da consola, a Master System 2, vindo embutido na ROM, substituíndo assim o Hang-On/Safari Hunt do primeiro modelo. Fica a nota que esta versão incluída com a consola teve alterada a configuração dos botões, ataque/salto para coincidir com a mesma disposição dos jogos mais populares da altura.

Com a boa aceitação da primeira incursão do Alex Kidd, in Miracle World, era esperado que a SEGA aproveitasse a maré… melhorasse os próximos títulos da série, introduzisse novas mecânicas no jogo e quem sabe até evoluír o personagem. Esqueçam.. estou a falar da SEGA, a empresa que sabe, melhor que todas as outras, como destruír uma franquia e colocá-la no esquecimento. O que eles conseguiram fazer foi  de rajada meter o nome Alex Kidd em meia dúzia de jogos de qualidade medíocre e em que nada dignificavam o Alex. Bem… tirando a versão de Mega Drive, Alex Kidd in the Enchanted Castle, que era menos má, sendo a verdadeira sequela do In Miracle World e sendo o Lost Stars o piorzinho deste grupo.

O Alex acabou por não ser bem a resposta que a SEGA pretendia dar à Nintendo. As vendas da Master System aumentaram um pouco, foram criados produtos derivados do jogo como por exemplo um jogo de tabuleiro (apenas comercializado no Japão), mas a coisa ficou-se mesmo por aí… A culpa das vendas não serem o esperado não era só do Alex, ele sozinho não conseguia fazer esquecer o catálogo que na altura havia para esta consola, com títulos como o ALF. Quer dizer, este até nem era assim tão mau se olharmos para o ET da Atari e o Predator da NES…

Depois do lançamento do Alex Kidd in Shinobi World em 1990 e após ter constatado que o Alex não seria rival à altura de Mario, a SEGA decide mudar de rumo. Começa a focar-se mais naquela que seria a sua futura mascote, o Sonic (percebem-se as razões) e deixar assim o Alex Kidd no esquecimento. É caso para dizer que o Alex desta vez perdeu no Janken-pon 😦
Foi um “fim” injusto, para a legião de fãs que o recorda com saudade.




Aparições

Apesar estar no esquecimento, é mantido numa espécie de limbo dando a cara (ou o nome) em outros jogos e assim ficam os seus seguidores em expectativa de quando será o seu regresso “a sério”.

Algumas das aparições do Alex Kidd:

Kenseiden: Nas paredes vemos o rosto de Alex Kidd desenhado no meio da textura vermelha e rochosa.

Altered Beast: O nome do Alex e da Stella estão desenhados nas lápides.


Shenmue: Neste jogo era possível comprar vários bonecos ao estilo de coleccionáveis, o Alex era um deles.

Remakes de fans: Little Big Planet, Alex Kidd in Miracle World HD

Jogo de tabuleiro: Apenas lançado no japão.

Segagaga: Aparece como vendedor de uma loja de videojogos e conta a história de quando apareceu o Sonic e lhe tirou o lugar.

SEGA Superstars Tennis: A primeira incursão do Alex Kidd no 3D. Aqui aparece como personagem jogavél.

Sonic & SEGA All-Stars Racing e ll-Stars Racing Transformed: Jogo de corridas com os personagens da SEGA. Aqui o Alex Kidd pode voltar a conduzir a mota.



Curiosidades

Quase a terminar, deixo umas curiosidades sobre o Alex:

  • Apesar de muitos acharem que o Mário foi o primeiro personagem a ter um jogo de corridas, na realidade foi o Alex Kidd com o BMX Trial. Não é que o jogo seja grande coisa (bem à conta dos controlos), mas trouxe inovação e fica para a história
  • Ocupa o 1º lugar no top 100 dos melhores jogos de Master System, votado pelos membros  da comunidade Sega8bit.com
  • Até hoje, de todo o catálogo da Master System, Alex Kidd é o personagem mais associado a esta consola
  • No primeiro título da série, quando é terminado um nível é visto o Alex a comer qualquer coisa no fim. No japão ele come um Onigiri (bolo de arrôz envolvido numa folha de nori). Em versões lançadas no ocidente, ele come um hamburger
  • O quinto título da série, Alex Kidd in Hi-Tech world tem uma razão de ser tão mauzinho. Originalmente este jogo não era para ser um título da franquia, mas sim um jogo baseado no anime Anmitsu Hime. No final acabou por ter alterações nos gráficos e diálogos para passar a ser mais um título na série.
  • Durante a era dos 8 bits teve mais participações em jogos do que o Mário
  • Alex Kidd in Miracle World é o título da música nº5 no album Something for Nothing, da banda francesa  Chunk! No, Captain Chunk!

 

Anmitsu Hime


Para terminar deixo-vos com o “legado” do Alex Kidd. Não vou analisar cada título, isso ficará para outra altura, mas ficam algumas imagens para comparar as várias aventuras deste heroi. Ao todo a franquia teve sete lançamentos, um para arcade, outro para Mega Drive e os restantes saíram na Master System.


1986 – Alex Kidd in Miracle World (Sega Master System)


1986 – Alex Kidd With Stella: The Lost Stars (Arcade)


1987 – Alex Kidd BMX Trial (Sega Master System)


1988 – Alex Kidd: The Lost Stars (Sega Master System)


1989 – Alex Kidd in High-Tech World (Sega Master System)


1989 – Alex Kidd in the Enchanted Castle (Sega Mega Drive)


1990 – Alex Kidd in Shinobi World (Sega Master System)


Para muitos, eu incluído, o primeiro título da franquia continua a ser o melhor de todos, e o mais difícil. Conheço malta que ainda hoje não conseguíu acabá-lo (nem à conta de emuladores). Não é nenhum supra-sumo de dificuldade como o Ninja Gaiden ou Shadow Dancer, mas é exigente q.b.
Na altura consegui acabá-lo umas três vezes, mas da última vez que lhe peguei a coisa não correu assim tão bem!

Rebuscando no meu sotão de memórias, lembro-me de ver o Alex Kidd a preto e branco… sim… a Preto e Branco!
Foi em casa de uns amigos meus que tinham no quarto uma pequena tv com a consola ligada (o pai não os deixava ligar na tv da sala)  e foi lá em casa deles que vi pela primeira vez uma consola e o primeiro jogo foi o Alex Kidd.

Intéh!

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Posted on May 28, 2015, in Memórias, Sega and tagged , , . Bookmark the permalink. 8 Comments.

  1. Rieko Kodama, uma senhora!! Sempre gostei do trabalho dela, mas por acaso não sabia que ela tb teve a mão na criação do Alex. Gostei deste teu artigo, venham mais assim!
    PS: Prefiro o Wonderboy! :p

  2. Joguei muito Alex Kidd….mesmo…e tambem joguei muitas vezes a preto e branco…uma pequena televisão da manhosa marca “CIE”…e já era muito bom 🙂

    • Yap… jogar a P&B ahhh nostalgia!!

      Ainda foram umas valentes horas que passei com uns vizinhos meus a jogar Alex Kidd e Sonic e a falta de cores não era impedimento para a diversão 😉

      • Mas a gente divertia-se a jogar…hoje em dia os jogos mais parecem um “filme”,com os gráficos muito detalhados e tal…muitos deles a gente acaba num só dia…acho que nunca me vão dar o prazer que me dão os jogos da Mega e Master System(e da era 16 bit em geral)…de facto as cores não eram impedimento para a diversão…

  3. ToZe(Ex-Touareg)

    Fora o Miracle World e o Shinobi World … o resto é mau/mediocre. Os primeiros 2 são excelentes e já se fazia qualquer coisa tipo o remaster do Duck Tales da Nes que ocorreu no ano transacto (!) …

    • O de mega drive também não está mau, mas claro que não está ao nível do Miraclw World. Esse sim, já merecia uma versão remastered em HD (mas que desse para jogar com os comandos da Master System!)

  4. ToZe(Ex-Touareg)

    O de mega drive … não é lá grande coisa … não é tão mau como podia … mas … anda lá perto, nunca me perdi mais com ele do que 5 minutos … o Shonobi World é que nunca tinha jogado até recentemente e sim senhor … é uma pérola 🙂

    Jogar com comandos de SMS ? só se fores ao Ali Baba … e mesmo assim só NES/SNES por norma (USB) e com qualidade mais fracota no que toca a plásticos.

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