Visita à feira

No sábado passado, estava um belo dia e como eu até nem tinha mais nada que fazer, lá decidi meter mais 300kms no carro e ir com a cara metade à feira. E não uma feira qualquer. Mais precisamente à Lisboa Games Week 2015.

E perguntam vocês… então e valeu apena?
– Então não valeu!? Foi a primeira vez que tive numa fila de 600 metros só para entrar num pavilhão!

Sim, leram bem. Só para entrar. A fila para a bilheteira era mais ao lado. E também neste caso, leram bem, era. A determinado ponto veio uma moça anunciar (para os que estavam próximos) que iriam encerrar a bilheteira sem previsão de hora de reabertura porque, segundo palavras da moça: “temos muita gente e não estamos a conseguir dar vazão”.
Porreiro.
Ainda bem que a maria teve a bela ideia de comprar os bilhetes na Fnac, no dia anterior.

Passado cerca de hora e meia na fila lá consegui meter os pés dentro do pavilhão nº 4. Ainda corri direito ao “auditório” para ver se ainda apanhava algum tempo de antena do Mário Tavares sobre retro gaming, mas já cheguei tarde. Foi pena porque a sessão dele foi o que mais me motivou a fazer a viagem. Ainda apanhei uns 10 minutos do fim, até nem foi mau de todo porque ainda o ouvi dizer que preferia o PES ao FIFA.

aplause

O objectivo deste evento, que decorreu entre os dias 5 e 8 de Novembro na FIL, foi dar a conhecer ao público algumas das novidades da indústria, quer seja em jogos a serem lançados como novo hardware. Decorreram também torneios de consolas e o da Asus ROG, simuladores, lojas, cosplay, as celebridades do momento (aka youtubers) e um auditório que prometia sessões interessantes. Não esquecer claro o cantinho dos produtores portugueses e o meu espaço preferido, onde estava o material retro.

Havia lá bastante por onde perder a atenção e o tempo. Começando logo naquela que para mim era a principal atracção, o HMD (Head Mounted Display) Playstation VR. Depois o Assassins Creed Syndicate, o Uncharted 4 e claro está, o Greedy Guns da Tio Atum. Já que mais acima falei em perder o tempo, vou explicar porquê, para quem não teve a oportunidade de ir.

Esquecendo a hora e meia de fila para entrar no pavilhão, experimentar o VR era para esquecer. Só com agendamento e corriam rumores que a coisa estava avariada (temporariamente). Adiante até ao Uncharted 4 que ficava mlogo á entrada. O número de cabeças que se viam lá no espaço já anteviam o que se passava. Filas para agarrar no comando. Próximo. AC Syndicate parecia-me bem, mas o cenário era igual ao anterior. Seguinte. Fui até aos simuladores. Aqui a fila não era grande e até que podia ter posto á prova os meus dotes de condução virtuais, mas aqui achei por bem não o fazer. Não queria a malta toda a rir-se às minhas custas. Mais uma volta e começo a ver a fila para os autógrafos dos youtubers a ganhar forma, contornando toda a lateral do pavilhão. Como não me interessava, passei à frente. Ao longo dos quilómetros que fui fazendo naqueles corredores, ia ouvindo aqui e ali a geração mais nova a falar dos jogos da moda, com mais incidência no CS.

Com isto tudo já passava da uma da tarde e lá decidi ir comer qualquer coisa mais a mulher. Como não podia saír do recinto e voltar a entrar, dirigimo-nos a umas tascas que estavam lá a vender comida. Também aqui longas filas de espera. Acordei com a mulher irmos dar mais umas voltas por lá, atacava-mos nos kitkats’s que eu trazia na mala e adiava-se o almoço. Mais uns quilómetros nas pernas às voltas, em que só via filas e tinha que pedir licença para passar. Nesta altura já estava a ficar saturado e com pouca paciência.

Fui até ao estaminé do Tio Atum e estive lá um pouco a ver a malta a jogar Greedy Guns, que me pareceu muito bom. Aqui até nem havia muito movimento, mas o meu estado de espírito já não dava para jogos. Avancei então até á última paragem onde passei mais tempo. Não a jogar, mas a admirar os outros a jogar e o hardware exposto. Estou a falar do espaço Nostalgica onde estava o material retro e as árcades e flippers. Já tinha passado por este espaço logo ao inicio e tinha reparado que tinha bastante influência. Na segunda visita, mantinha-se o mesmo interesse do público.
Gostei particularmente de ver a malta mais nova ali toda viciada agarrada aos Spectrums, e claro um miúdo a jogar Sonic na Master System II. Ainda me ri quando ouvi dois moços, da geração CS, a perguntar a outro qual era a tecla para saltar.
Fiquei um pouco apreensivo de aquelas relíquias de hardware estarem ali á mercê das mãos de milhares de pessoas, e algumas sem sensibilidade para o material que tinham em mãos. Algo me diz que aqueles ratos do Amiga não vão durar muito mais tempo, assim como o teclado do Sam Coupé.
Achei bastante interessante este espaço e as várias gerações que ali estavam a vibrar com gráficos de 8 e 16bits em frente, comprovam que o retro gaming veio para ficar e agrada a todos.

Em jeito de resumo, a opinião geral do pessoal com que falei (e também do que li) é que este ano as expectativas foram superadas, teve bastante afluência do público e que o evento foi muito bom, apesar a ausência da Microsoft.

Eu não gostei assim tanto.

Não que tivesse sido devido ao conteúdo, mas antes pela organização. Acredito que em evento desta escala tenha imenso trabalho de logística e organização por detrás, mas ainda assim há aspectos que deviam ser melhorados para que tenha condições de crescer de ano para ano.
Falo das constantes filas para tudo e mais alguma coisa. Não me parece que as pessoas vão de bom gosto pagar 10€ de entrada para ir admirar posters ou ficar horas numa fila para jogar um jogo. Pareceu-me que o rácio de consola/sistema por visitante não devesse andar muito longe de 1:5000. E que tal no próximo ano, distribuír os expositores por dois pavilhões? Já deve ser garantido que no próximo ano vão ter mais público, assim escusam de o condensar todo num único pavilhão.

Na minha opinião, deveriam ter colocado os developers tugas noutra zona onde pudessem dar melhor a conhecer os seus jogos, em vez de terem ficado lá ao fundo, ao pé da barraca das bifanas.
Outra falha foi na gestão feita da abertura da bilheteira, apenas um torniquete de entrada a funcionar para o pavilhão e a certa altura quem tinha um determinado tipo de bilhete era como se tivesse um livre passe para passar à frente de todos os outros. Por último a falta de informação. Ao longo daqueles 600 metros de fila para entrar, ninguém sabia se a fila era para entrar, se era para comprar bilhete ou se era para trocar bilhetes (online/ctt). Até poderei ter escolhido mal o dia para ir, mas infelizmente neste, foi assim.

E pronto já farto de ali andar tipo chouriço, às 14:30 lá fui com a maria almoçar e descansar um pouco as pernas, antes de me ir enfiar no IKEA.

Deixo-vos algumas fotos que tirei e que obtive na página do Facebook do LGW. Podem ver o álbum todo no Imgur, aqui: http://imgur.com/a/C2Nl2

 





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Posted on November 14, 2015, in Scrap Brain Zone and tagged , , , . Bookmark the permalink. 3 Comments.

  1. Por acaso tambem me dá gozo ver os putos a vibrar com os jogos do nosso tempo… só provam que são do melhor que já se fez (sem tirar mérito aos que se fazem nos dias de hoje)… eu fiz questão á uns anos atrás de “viciar” os meus dois sobrinhos na Mega Drive e os chavalos adoraram aquilo fartei-me de ouvir “Pensei que fosse pior para os anos que tem”…

    • Hoje em dia perdeu-se um pouco a diversão e entretenimento em prol de gráficos realistas, fps e outras características técnicas.

      Eu já ando a mostrar o Sonic à minha filha e já lhe disse que o Mário é o “mau da fita” 🙂

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