Projecto Retropie – Parte #2

O Natal está a chegar e com ele também o Bolo Rei e as filhoses. Antes que fiquem com as mãos gordurentas o melhor é avançar mais um pouco na construção da consola com o RetroPie. Antes de começar, convém esclarecer duas questões que já me colocaram e que por lapso não incluí no primeiro post desta série.

O que raios é um Raspberry Pi, e o que é o RetroPie?

Bem, quanto à primeira, o Pi basicamente é um computador do tamanho de um cartão Multibanco. Já vai na 3ª geração, com distintas configurações a nível de ram e processador, sendo que este último conta com um processador quadcore @ 1.2Ghz. Contém entradas USB e saída de video hdmi/vga (gpio)/composto, saída de audio e também slot para cartões SD/mSD. Ganhou popularidade porque devido ao tamanho e ao seu baixo custo é possível utilizá-lo para vários tipos de projectos desde a robótica até aos jogos. O RetroPie é um pacote de software composto pelo EmulationStation (frontend) e pelo RetroArch que é um conjunto de emuladores para as várias consolas/sistemas. Este pacote corre no sistema operativo do Raspberry Pi (Raspbian) mas também pode ser descarregado em forma de imagem que contém o pacote completo com o sistema operativo.

Esclarecidas as dúvidas então o próximo passo consiste em preparar a carcaça da consola para acolher o Raspberry e a restante tralha que lá vamos meter. Se observar-mos como ela está de origem constatamos que nessa forma não é possível fazer a montagem dos componentes.

É aqui que entra o dremel em ação. Se não tiverem esta ferramenta, um canivete bem afiado ou um x-acto de lâmina grossa também serve. Tenham é em atenção os dedos para não irem parar ao hospital com os côtos em sangue. O que é preciso então remover? Bem, quase tudo. Começamos por todos os apoios que seguravam a board da consola e que se encontram ao meio. Os das extremidades e aqueles perto das entradas dos gamepads não é necessário. Na zona de suporte ao leitor de cartuchos é preciso também remover as duas filas mais abaixo para que nesse lugar possamos colocar o hub USB.

Para a colocação do hub podem optar por colá-lo directamente no local. Eu optei por fixá-lo com um L em metal que tinha cá por casa. É também uma boa altura para colocar os suportes para o Raspberry. Eu utilizei dois parafusos, que nem sei o nome técnico daquilo, basicamente são os que se utilizam nas caixas de PC para apoiar a motherboard. Posicionem o Pi por forma a que a ranhura do cartão SD fique o mais próximo possível da porta de expansão da Mega Drive. Assim do tipo:

O próximo passo será cortar as cavidades para colocar as portas USB e RJ-45 na traseira da consola assim como os jacks A/V de painel. Para a porta de rede e a USB recortamos a altura das mesmas na tampa de baixo da carcaça por forma a que quando a unimos as duas tampas estas fechem bem. Não esquecer a furação para os parafusos que fixam as portas. Quanto aos jacks A/V, no sítio onde os coloquei, o plástico da carcaça não é muito resistente por isso cortei um rectângulo de um pedaço de plástico resistente que aqui tinha e fiz a furação dos 3 jacks nele. Este por sua vez irá encaixar na consola e ao fechar as tampas fica bem preso e não sai do sítio. Depois das furações feitas é preciso pintar este encaixe de preto para a coisa ficar com melhor aspecto.

Já que estamos a falar nos jacks AV, é uma boa altura para fazer as ligações destes, aproveitando cabos antigos que certamente andam por aí sem destino. Aqui também não há muito que enganar, é só seguir o esquema abaixo. Cortamos uma das extremidades do cabo e ligamos no encaixe de painel a massa (ground) na anilha de fora e o cabo do sinal vídeo no contacto do meio. Se tiverem dúvidas a identificar os cabos utilizem um multímetro para ajudar.

A ligação do audio também é simples. O cabo para o sinal esquerdo liga no conector central de um dos jacks e o do direito no outro. A massa tem que ligar nos dois jacks, em cada anilha correspondente.

Bem sei que os esquemas não estão nada de jeito, mas foi o que consegui arranjar. Se a coisa vos correu bem, então devem ter ficado com algo parecido a isto:

 

 

 

 

 

 

De seguida, pintar o interior. Para dar um pouco mais de brilho aos leds que depois meti lá dentro, decidi pintar o interior também de verde. Aqui não tem nada que saber e não é preciso ser um Dali para a pintura. É pegar na lata de tinta, agitar bem como se tivessem… coiso.. e aplicar. Já que estão com a lata de tinta na mão, podem também aproveitar e pintar os botões de power/reset. Recomendo duas ou três de-mãos por causa do desgaste que venham a ter.

Após a pintura secar então é tempo de montar as portas usb e a ligação AV nos respectivos encaixes. Na parte da frente optei por posicionar as portas onde estavam as ligações DB9 para os comandos da Mega Drive, e colei as mesmas directamente na carcaça. Apenas nas ligações da traseira é que utilizei parafusos para as fixar no local.

 

Agora, as fitas de led. Aqui importa referir um aspecto importante. No post anterior, na listagem de material, incluí um transformador de 5V. Bem, se planeiam colocar estas fitas de leds então precisam de um transformador de 12V 2A que simultâneamente também forneça os 5V para alimentar o Pi, sem o transformar num pisa-papeis carbonizado. Eu acabei por utilizar um transformador de uma caixa de disco externa avariada. Assim, para quem pretenda esta solução, aqui ficam as ligações entre a porta de alimentação traseira (fêmea) <> Raspberry Pi (via microUSB) + fitas led:

Penso que é fácil perceber o esquema acima: A alimentação que entra na porta USB (12v e 5v) é depois dividida mais à frente, onde os 5V vão para o Raspberry e os 12V para as fitas de led. A ligação dos 12v é feita no contacto correspondente enquanto o ground é ligado no ponto G (Green) para a cor que queremos. As duas fitas também estão ligadas com dois condutores nestes mesmos pontos. Importante não trocar os condutores dos 12v com o de 5V senão podem ir procurando outro Raspberry. O esquema de ligação do transformador para a ficha USB do tipo A (macho) também não tem nada que enganar:

Ainda há mais umas montagens electricas a fazer mas terão que ficar para depois porque ainda há mais trabalho de pintura a fazer. É normal a carcaça da consola ter alguns riscos por isso vamos pintá-la de preto, com uma ou duas de-mão. O procedimento é o do costume, pequenas passagens de spray pela horizontal e de seguida na vertical para ficar todo o espaço preenchido de forma uniforme.

Por último a decoração da tampa da consola, mais especificamente aquele rebordo oval que rodeia a entrada de cartuchos e o triângulo que aponta para essa mesma entrada. Vamos pintar os dois de verde, também a spray, da mesma cor que os botões que pintámos mais atrás. Começamos por colar pequenas tiras de fita de modo a contornar a parte que queremos pintar e tapar a restante área:

Após estar tudo bem coberto, é só passar o spray:

Agora também é uma boa altura para pintar as portas do slot de cartuchos:

Depois de terminado, o aspecto deverá ser semelhante a isto:

Depois das últimas pinturas chega então a altura de montar o Raspberry no interior da consola e efetuar todas as ligações. Mais uma vez, se tudo correu bem então o panorama será semelhante a isto:

Se repararem vêm que no botão de reset da consola vão uns fios que ligam no Raspberry. Optei por utilizar um botão de reset de uma caixa de computador para ligar no Pi. Até que isto nem seria preciso, mas não vá a máquina bloquear, mais vale prevenir… Para saberem como ligar o switch no Pi aconselho a leitura do blog da Adafruit.

Acabou por ser um desafio arranjar forma de fixar o botão de reset por debaixo do reset da consola de forma a que fizesse contacto quando fosse premido. Tentei molas, membranas, até uma engenhoca com um clip mas sem resultado. A coisa recusava-se a funcionar. Mas, á lá MacGyver, depressa arranjei uma solução. Colei uma extremidade de uma pequena aste de plástico (recortada da tampa de uma caneta BIC) à base do encaixe do botão da consola e na outra extremidade colei o botão de reset do computador. Posicionei-o de forma que o botão da consola ficasse quaseencostado a ele, mas sem despoletar o click.  O resultado foi este:

Na altura optei por não fazer algo semelhante para o botão de power, na esperança que não tivesse que ligar/desligar muitas vezes a consola e confiando que ela ficaria num local acessível onde fácilmente ligava e desligava a alimentação USB conforme necessitasse. Pois bem, enganei-me. Entretanto terei que adaptar um switch aos 5V que alimentam o Raspberry utilizando um botão destes, ou semelhante.

Está na hora de terminar este post que já está a fazer concorrência a algumas novelas. Já têm com que se entreter por umas boas horas enquanto me dedico à última parte deste guia. No próximo post irei abordar a instalação do Retropie com todas as configurações e otimizações que fiz.

Stay tuned!

 

Intéh!

 

Projecto Retropie

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Posted on December 22, 2016, in DIY, Retropie and tagged , . Bookmark the permalink. 2 Comments.

  1. ToZe(Ex-Touareg)

    A seguir … um RPi Zero numa gamegear 😉

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